O jogo é composto por um tabuleiro com medidas de 66cmX50cm e é constituído pela conexão de três mesorregiões de Alagoas a partir da pista de largada. O movimento de início pode ocorrer no sentido horário ou anti-horário, onde os participantes escolhem iniciar o jogo pelo Leste alagoano ou pelo Sertão alagoano. Na região central do tabuleiro foi adicionado o símbolo do jogo sobre o mapa de Alagoas. Este espaço central é destinado ao lançamento dos dados de RPG.

A logística do tabuleiro baseia-se na atualização de uma banca de 60 perguntas referentes ao conteúdo programático da disciplina, direcionado para o estado de Alagoas, podendo também o professor construir sua própria banca de perguntas. A pista de largada/chegada é o espaço onde o professor/orientador do jogo conduzirá o jogo como mestre. Nos demais entornos do jogo deverão se posicionar os jogadores. O jogo possui uma quantidade mínima de dois participantes (além do mestre).

O jogo tem como principais objetivos ser usado como uma atividade de reconhecimento do espaço, de reforço e ampliação dos conteúdos propostos, além de possibilitar a dinâmica das atividades em equipe e o pertencimento do estudante em relação ao meio em que vive. O tabuleiro foi preparado para receber cartas construídas com o objetivo de apresentar, em realidade aumentada, mapas, personagens, links para vídeos na plataforma do Youtube, elementos da fauna e da flora; apropriando-se assim de tecnologias da informação e da comunicação (TICs) e das tecnologias digitais da informação e comunicação (TIDCs), que estão de maneira direta ou indireta, atuando no mercado de produção, na educação, na formação da sociedade como um todo.

Os personagens do Quest Ambiental, baseados em jogos de Role-Playing Game (RPG), são subdivididos em equipes, sendo elas:Especialistas (Analistas ambientais, Geógrafo, Historiador, Cartógrafo, Botânico), que orientam os participantes do jogo, dando dicas e apresentando problemas existentes;
Moradores locais, que se apropriam do meio, muitas vezes degradando o mesmo sem ter a noção exata do fato ou que fazem por necessidade financeira, alimentar, entre outras. São responsáveis pela manutenção e preservação do local;
Turistas, que devem produzir questionamentos sobre a ação humana em relação à preservação ou degradação do meio ambiente.

Transpor o mundo real, e as atividades que se desenvolvem nele, para o mundo virtual requer a obrigatoriedade de uma dinâmica construtiva na elaboração da narrativa, baseada sempre no conteúdo abordado e o manuseio das diversas tecnologias e meios de comunicação existentes. Esta dinâmica busca trazer para o discente mais leveza e prazer no momento efetivo da aprendizagem. Para Cavalcanti (2010, p. 379):

<div style="text-align: left;">
</div><div style="border: none; margin: 0px 0px 0px 40px; padding: 0px; text-align: left;">Essa indicação está relacionada à necessidade de incorporar outras formas de linguagem, como o cinema, a música, a literatura, a dramatização, as charges, a Internet, os jogos virtuais e o computador no ensino de Geografia. Aposta-se na possibilidade que essas linguagens têm de servirem à manifestação pelos sujeitos de sua diversidade subjetiva, de seus significados. A linguagem alternativa à verbal tem uma característica importante para considerar nessa mediação: exige articulação entre razão e sensibilidade, requer abordagem interdisciplinar; para a comunicação, exige conhecimento mais sintético, conceitual.</div><p> </p><div>Como busca (re)conectar o discente ao meio em que vive, diversas propostas e meios devem compor o jogo, destacando-se aqui o teatro, a fábula, a literatura, a história, a sociologia, a filosofia, a biologia e a crônica, que, em um movimento de simbiose, conversam e convergem continuamente com a Geografia. É de fato uma atividade que, como afirma Huizinga (2000), constitui uma representação lúdica da sociedade, onde a atividade de forma espontânea propõe regras em que todos concordam e livremente realizam, possibilitando o interesse de todos os participantes até o final do jogo.

Ao ligar os discentes ao meio ambiente do estado de Alagoas, através das cartas em realidade virtual aumentada (RVA) os participantes podem identificar a importância da preservação dos espaços existentes no Leste e no Sertão alagoano, como suas 88 unidades de conservação, divididas entre municipais, estaduais, federais e particulares (referente ao ano de 2021). Como as organizações particulares e públicas conversam com a sociedade civil para a manutenção do meio ambiente e onde esta mesma sociedade, mais responsável e consciente do seu papel pode atuar.

Ao longo das perguntas propostas no jogo, são discutidas temáticas ligadas aos conceitos didáticos do espaço ambiental, como origem dos nomes de cada bioma, relações existentes entre os espaços urbanos e a hidrografia, a questão do lixo e sua eliminação, como os discentes atuariam em relação ao tráfico de animais silvestres ou a degradação de áreas vegetais, entre outras propostas existentes.

A proposta, então, é transformar o jogo em uma busca interativa, emocionante e questionadora que possa gerar uma nova forma de produzir conhecimento. Dessa forma, ao casar a Realidade Virtual Aumentada (RVA) com os conteúdos da Geografia física do estado de Alagoas e os jogos de Role-Playing Game (RPG) os discentes passam a vivenciar uma sensação, como afirma Schmit (2008):


[…] interativa, quantificada, episódica e participatória, com uma quantificação dos atributos, habilidades e características das personagens […]. Além disso a história é definida pelo resultado das ações das personagens e as personagens dos jogadores são as protagonistas. (Schmit, 2008, p. 47).

Nada mais agradável, no processo de ensino-aprendizagem, do que ver uma sala de aula repleta de protagonistas, com debates, escolhas, aprendizagens, onde o professor passa a ser um farol, que indica o caminho para as verdadeiras estrelas produzirem o seu próprio brilho.</div>